Software de envios para e-commerce: como escolher o certo a partir de Portugal

De quem são as tarifas, os CTT e as ilhas, a exportação e a forma de pagar: os critérios para escolher um software de envios, e o teste a fazer antes.

Duas pessoas num pequeno armazém: uma fecha uma caixa com fita-cola, a outra trata das encomendas no portátil

Resposta rápida: um software de envios liga a sua loja às transportadoras. Importa as encomendas, gera as etiquetas em lote e devolve o número de rastreio à loja. Para escolher, comece pela pergunta que decide o resto: de quem são as tarifas. Há softwares que revendem o transporte às tarifas deles, e outros que se ligam às suas próprias contas de transportadora. Depois confirme o que pesa a partir de Portugal: os CTT, as ilhas, os documentos para vender fora da União Europeia e a forma de cobrança. E teste com encomendas reais antes de decidir.

Quase todas as lojas começam da mesma maneira. Chega uma encomenda, abre o portal da transportadora, copia a morada, gera a etiqueta, descarrega-a, volta à loja e cola o número de rastreio. Funciona enquanto as encomendas se contam pelos dedos.

Depois o volume cresce. Aparece uma segunda transportadora para Espanha, uma encomenda para os Açores, outra para o Reino Unido que pede documentos aduaneiros, e a manhã passa entre separadores. É nesse momento que se procura um software de envios, e que se descobre que não fazem todos a mesma coisa nem se pagam da mesma forma.

Este guia não é uma lista de marcas. São os critérios que contam para uma loja que expede a partir de Portugal, e as perguntas a fazer antes de se comprometer.

O que um software de envios faz, e o que não faz

Um software de envios fica entre a sua loja e as transportadoras. Não transporta nada e não substitui nenhuma das duas: poupa-lhe as idas e vindas entre elas.

No mínimo, deve:

  • Importar as encomendas da sua loja automaticamente, com a morada e o conteúdo, sem exportar ficheiros.
  • Mostrar as tarifas das transportadoras disponíveis em cada encomenda, antes de escolher.
  • Gerar as etiquetas em lote: as encomendas do dia numa só ação, e não uma a uma.
  • Devolver o número de rastreio à loja e marcar a encomenda como expedida.
  • Preparar os documentos aduaneiros quando a encomenda sai da União Europeia.

Há duas coisas que não faz, e convém sabê-lo desde já. Não emite as suas faturas: essas continuam a sair do seu software de faturação. E não o dispensa das obrigações aduaneiras: pode sugerir códigos e transmitir documentos, mas continua a ser o declarante e responde pelo que declara.

A pergunta que decide tudo: de quem são as tarifas

É o critério que menos se vê numa página de preços, e o que mais pesa ao fim de um ano. Há duas escolas.

O software revende o transporte. Não precisa de conta em nenhuma transportadora: expede no próprio dia, às tarifas que o software negociou para o conjunto dos seus clientes. É a via mais rápida para começar. A contrapartida é que o preço é dele. A remuneração do intermediário está na diferença entre o que paga à transportadora e o que lhe fatura a si, e essa diferença não a vê nem a pode negociar.

O software liga-se às suas contas. Precisa de uma conta em cada transportadora que quer usar, e o software trabalha com as tarifas desse contrato. É o modelo do ParcelRush. A contrapartida é a conta a abrir antes de começar. Em troca, as tarifas são suas.

O software revende o transporteO software liga-se às suas contas
Contrato com a transportadoraNão é precisoUma conta por transportadora, em seu nome
Preço do transporteFixado pelo softwareO do seu contrato
Quando o volume cresceO histórico fica do lado do softwareRenegoceia com base no seu histórico
Quem lhe fatura o transporteO softwareA transportadora, diretamente
Encomenda perdidaA reclamação passa pelo intermediárioTrata diretamente com a transportadora
Se mudar de softwareRecomeça do zeroLeva os contratos consigo

Nenhuma das duas é a resposta certa em absoluto. A primeira poupa tempo no arranque. A segunda poupa dinheiro quando o volume assenta, e a mudança costuma acontecer mais tarde do que devia.

Se ainda não tem conta, abri-la é mais simples do que parece. Nos CTT, a conta Expresso abre-se online, a validação demora no máximo 5 dias úteis e o contrato não tem período de fidelização. Os CTT indicam que esta via se adequa a quem faz até 50 envios por mês, e convidam quem faz mais a pedir uma proposta à medida. Com menos envios, nada o impede de a pedir também: a conversa não o obriga a nada. O passo a passo está em como abrir uma conta CTT Expresso.

Uma pergunta a fazer, seja qual for o software: as tarifas no ecrã são as que lhe vão faturar? A resposta nem sempre depende só do software. Os CTT não disponibilizam as tarifas contratuais por API. Por isso, no ParcelRush, a comparação mostra as tarifas públicas dos CTT como referência, e a fatura dos CTT segue sempre o seu contrato. Com a DHL, a UPS e a DPD, as tarifas do contrato chegam por API e o ecrã mostra-as com exatidão. Pergunte a cada software como trata este ponto, transportadora a transportadora.

E se já trabalha com várias transportadoras, a forma de as combinar sem diluir os descontos que negociou está em multi-transportadora, diversificar sem partir as tarifas.

O que pesa quando expede a partir de Portugal

Os critérios gerais valem em todo o lado. Estes três fazem a diferença quando a loja está em Portugal.

Os CTT e as ilhas

Se expede com os CTT, verifique duas coisas antes de escolher:

  • Que serviços estão integrados. No ParcelRush: CTT Expresso, Expresso Nacional e Expresso Internacional, conforme o seu contrato.
  • O que vem depois da etiqueta. Recolha agendada sem abrir o portal dos CTT, rastreio de volta à loja, prova de entrega e encomendas em vários volumes.

O detalhe, serviço a serviço, está na integração CTT Expresso.

Para a Madeira e os Açores, tudo depende do seu contrato, seja qual for a transportadora: se cobre as ilhas, e em que condições. Pode até acontecer que a transportadora faça um contrato à parte só para elas. Confirme-o antes de escolher um software. No ParcelRush, a regra é simples: o que o seu contrato permite, pode expedir, para as ilhas como para o continente.

A sua loja, ligada nos dois sentidos

A ligação deve funcionar nos dois sentidos. As encomendas entram sozinhas no software; o número de rastreio e o estado da encomenda voltam para a loja, que avisa o cliente com o seu próprio email de expedição.

Pergunte como se faz a ligação e o que exige. No ParcelRush, o Shopify liga-se pela App Store ou pelo endereço da loja, e o WooCommerce com as chaves da API REST que gera nas definições avançadas do WooCommerce. O Squarespace também está integrado. Se vende noutra plataforma, as encomendas podem ser criadas à mão ou importadas por CSV: serve para começar, mas não substitui uma ligação.

Se tem várias lojas, confirme que cabem todas na mesma conta. No ParcelRush, o número de lojas é ilimitado.

Vender fora de Portugal sem papelada à mão

Para uma loja portuguesa, exportar é muitas vezes o passo seguinte, e é aí que um bom software mais se nota.

Dentro da União Europeia, as encomendas circulam sem formalidades aduaneiras, para Espanha como para a Alemanha. A Madeira e os Açores também, porque estão dentro dos territórios aduaneiro e do IVA da União. Uma exceção a conhecer, se vende para Espanha: as Canárias fazem parte da União, mas ficam fora do território do IVA, e uma encomenda para lá está sujeita a formalidades de exportação.

Fora da União, no Reino Unido, na Suíça, nos Estados Unidos ou no Brasil, cada encomenda leva documentos. O que deve pedir a um software:

  • Os documentos certos, conforme o canal. O CN22 e o CN23 são formulários postais. Uma transportadora privada, como a DHL ou a UPS, pede uma fatura comercial, seja qual for o valor. Para saber o que leva cada encomenda, o verificador de documentos aduaneiros responde em segundos, gratuitamente.
  • A transmissão eletrónica. O ParcelRush transmite o CN22 ou o CN23 à transportadora e assinala os destinos que ainda exigem impressão.
  • A sua fatura AT, sem a refazer. Em Portugal, o documento que tem de carregar para uma exportação é a fatura AT, a que emite no seu software de faturação. O ParcelRush não a gera: carrega-a ao processar a encomenda, e ela segue para a transportadora com a etiqueta.
  • Os códigos HS. Um código errado pode reter a encomenda na alfândega. O ParcelRush sugere códigos HS a partir dos dados do produto; a confirmação cabe-lhe a si, porque é o declarante.

O dia a dia: etiquetas, regras e rastreio

É aqui que se ganha o tempo. Perguntas a fazer:

  • Várias transportadoras no mesmo lote? As etiquetas do dia devem sair numa só ação, mesmo que metade siga pelos CTT e a outra metade pela DPD.
  • PDF e ZPL? O PDF serve a impressora do escritório, o ZPL a impressora térmica de etiquetas. Quando compensa mudar está em etiquetas ZPL ou PDF.
  • Regras automáticas? Definir uma vez que o nacional vai de CTT e Espanha vai de DPD, por exemplo, e deixar de decidir encomenda a encomenda. As regras do ParcelRush escolhem a transportadora e o serviço pelo peso, pelo destino ou pelo valor.
  • Devoluções e recolhas? A etiqueta de devolução deve gerar-se a partir do painel, e a recolha agendar-se sem abrir o portal da transportadora.
  • Verificação antes de gerar? Um telefone ou um código postal em falta deve ser assinalado antes da etiqueta, e não depois.

E depois do envio, um software que fica pela etiqueta deixa-lhe metade do trabalho. Confirme que reúne o rastreio de todas as transportadoras num só ecrã, que assinala os atrasos e as entregas falhadas sem ter de os procurar, e que lhe mostra quanto custa de facto expedir: o custo médio por encomenda, por transportadora e por destino. No ParcelRush, esses números leem-se a 7 dias, 6 meses ou 1 ano.

Como se paga, e quanto custa de facto

Encontra três formas de cobrança:

  • Subscrição mensal, por vezes por escalões de etiquetas ou de funcionalidades.
  • Pagamento por etiqueta, sem mensalidade.
  • Margem no transporte, quando o software revende as tarifas. Não aparece como linha separada: está no preço de cada envio.

Para comparar, calcule o custo total por encomenda num mês normal e num mês de pico, somando o software e o transporte. E faça três perguntas: o que está incluído no preço de base, se há limite de etiquetas ou de lojas, e se ligar a sua própria conta de transportadora é cobrado à parte. A última não é teórica: em alguns modelos, é.

No ParcelRush, paga por etiqueta gerada: a partir de €0,29, a descer até €0,08 consoante o volume mensal, sem subscrição e com todas as funcionalidades incluídas. O transporte continua a ser faturado pela transportadora, às suas tarifas, sem margem do nosso lado. Os escalões e um simulador do custo mensal estão na página de preços.

O teste a fazer antes de decidir

Nenhuma página de funcionalidades substitui uma semana real. Escolha encomendas que ia expedir de qualquer forma e faça-as passar pelo software:

Encomenda de testeO que verificar
Nacional, com os CTTA etiqueta sai no lote e o rastreio volta à loja
Para a Madeira ou os AçoresSai nas condições do seu contrato para as ilhas
Para Espanha ou outro país da UniãoA regra escolhe a transportadora sem decidir à mão
Para fora da União, como o Reino UnidoOs documentos certos saem e seguem com a sua fatura AT
Uma devoluçãoA etiqueta de devolução gera-se a partir do painel
Uma encomenda em várias caixasOs volumes ficam ligados ao mesmo envio

No fim do mês, compare as tarifas vistas no ecrã com a fatura de cada transportadora. Devem bater, salvo nas transportadoras que não dão as tarifas do contrato por API, como os CTT.

Depois, olhe para dois números: o tempo que passou no lote do dia, e o custo real por encomenda. São os dois pelos quais vale a pena julgar um software de envios.

No ParcelRush, as dez primeiras etiquetas são gratuitas, sem cartão de crédito e sem data de validade: chegam para fazer este teste.

Onde se situa o ParcelRush

O ParcelRush é um software de envios multi-transportadora. Liga-se às suas contas CTT, DPD, DHL, UPS, FedEx e Colissimo, às suas lojas Shopify, WooCommerce e Squarespace, e gera em lote as etiquetas e os documentos aduaneiros a partir das encomendas. Foi pensado para lojas que têm contratos em seu nome, ou que estão prontas a abri-los, e que vendem em Portugal e para fora, com suporte em português.

O que não faz, para que fique claro: não revende transporte, não emite as suas faturas e não fala com os seus clientes no lugar da sua loja.

Para o resto, da geração de etiquetas em lote à comparação de tarifas em cada encomenda, veja tudo o que o ParcelRush faz.

Perguntas frequentes

O que é um software de envios para e-commerce?

É a ferramenta que fica entre a sua loja e as transportadoras. Importa as encomendas, mostra as tarifas das transportadoras disponíveis, gera as etiquetas em lote e devolve o número de rastreio à loja. Evita abrir o portal de cada transportadora e copiar moradas de um ecrã para o outro.

Preciso de contrato com as transportadoras para usar um software de envios?

Depende do modelo. Alguns softwares revendem o transporte às tarifas deles, e aí não precisa de contrato. Outros, como o ParcelRush, ligam-se às suas próprias contas: precisa de uma conta em cada transportadora que quer usar, e as tarifas são as do seu contrato. Nos CTT, a conta abre-se online e é validada em 5 dias úteis no máximo; os CTT indicam essa via para quem faz até 50 envios por mês, e convidam quem faz mais a pedir uma proposta à medida. Com menos envios, nada o impede de a pedir também.

Quanto custa um software de envios?

Há três formas de cobrança: subscrição mensal, pagamento por etiqueta, ou uma margem incluída no preço do transporte quando o software revende as tarifas. Compare o custo total por encomenda, e não só a mensalidade. O ParcelRush cobra por etiqueta, de €0,29 a €0,08 consoante o volume mensal, sem subscrição, e as dez primeiras etiquetas são gratuitas. O transporte é faturado pela transportadora, às suas tarifas.

Um software de envios funciona com os CTT?

Depende do software, por isso vale a pena testar antes de decidir: CTT Expresso nacional e internacional, envios para a Madeira e os Açores, documentos aduaneiros. Saiba também que os CTT não disponibilizam as tarifas contratuais por API: no ParcelRush, a comparação mostra as tarifas públicas dos CTT como referência, e a fatura segue sempre o seu contrato.

O software de envios trata da alfândega por mim?

Simplifica, não substitui. Pode sugerir códigos HS, preparar e transmitir o CN22 ou o CN23 e enviar a sua fatura AT à transportadora, mas continua a ser o declarante e responde pelo que declara. Dentro da União Europeia não há alfândega, com exceção dos territórios que ficam fora do IVA da União, como as Canárias, onde uma encomenda está sujeita a formalidades de exportação.

Posso mudar de software de envios sem perder as minhas tarifas?

Sim, se os contratos estiverem em seu nome: as tarifas do seu contrato pertencem à sua conta na transportadora e acompanham-no para qualquer software. Se o software revende o transporte, as tarifas são dele e ficam com ele quando sai.

Fontes

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Maëlle Lemarchand

Maëlle Lemarchand CEO da ParcelRush. 15 anos de web, UI/UX e e-commerce. Escreve sobre expedição, logística, e-commerce e marketing. LinkedIn